domingo, 27 de julho de 2014

O Poste, a Garota e o Desiludido. I

           Cá estou, sentado em um bar com uma música de Joni Mitchell tocando no fundo. Agora, senhor, deixe-me começar a contar. Não me interrompa.           
 Um dia, caminhando por uma rua pela qual eu sempre passava, avistei uma jovem encostada no único poste dali. Estranhei no principio, afinal, naquela rua, não se passava ninguém, tampouco seriam burros a ponto de para ali. Caminhei devagar, com a respiração baixa. Milhares de pensamentos horrendos passavam pela minha cabeça. Uma assassina? Talvez. Mas assim que cheguei perto, vi que seria impossível. Ela era linda. O tipo de mulher que chamaria a atenção de todos os homens. Seus cabelos louros, caídos sobre os ombros, balançando com o vento, dava a ela uma forma majestosa e respeitosa. Seu corpo, altamente delineado atraía todos os mais sujos pensamentos de quem a visse por aí. Aqueles olhos verde-jade eram tão sinceros quanto um sorriso de uma criança. Oh! Como ela era incrível. Como ela me fez sentir-me incrível!
  
           Mas é assim, não é? Assim são os criminosos bem sucedidos. Todos lindos, assim seduzindo suas vitimas. Espere. Por que estou te contando tudo isso? Você é um completo desconhecido. Bem, talvez seja por esse motivo mesmo. 
           Assim que cheguei perto dela, vi que chorava. Porém um choro silencioso. As lagrimas desciam pelo seu rosto, os lábios apertados um contra o outro. Seus cabelos louros caídos pelo rosto, escondendo os majestosos olhos vibrantes. Perguntei-lhe o problema, no entanto, ao invés de me dizer, me abraçou com força e deitou sua cabeça no meu ombro.          
            Por que eu não a reconfortei? Oras, não faz o meu estilo, meu caro. Afinal, caso eu o fizesse, ela notaria a superficialidade na minha voz. Não me comovi com aquilo. Ainda estou aqui com o senhor? Pois bem, dei-me uma bebida e outro cigarro, pois esse já queima meus lábios.            
           Permita-me continuar. Vejo agora que o segundo motivo por eu continuar aqui, é pelo simples motivo de que o senhor é um bom ouvinte. Minha história é longa e sem sentido, meu caro, tens a certeza que quer continuar a ouvir? 
Vida amarga.
Coração despedaçado.
Sentimento maluco.
A vida sem rumo.
O amor inexiste
nos transforma em pessoas carentes. 

sábado, 5 de julho de 2014

Pássaros.



           Hoje eu estava deitado sobre o gramado seco, quase sem vida. Acima de mim, uma árvore; grande e majestosa. Observava o céu. Olhava como as nuvens passeavam sob ele e formavam animais brancos e grandes. Fiquei imaginando como é possível tamanha perfeição. Queria teletransportar-me para longe. Queria caminhar sobre as nuvens... 
           Até que, em questões de segundos, fui lançado de volta para a realidade - um lugar no qual eu não gosto de ficar. O som. O som das asas batendo. Pássaros. Incríveis criaturas. Tão simples... tão inocentes... tão frágeis. Porém, há algo neles que eu invejo. O poder de voar. Quando tudo estiver ruim, os pássaros voam para longe. Procuram um lugar melhor. Quando faz frio, voam para um lugar quente. Se transportam do ruim para o bom. Do detestável para o adaptável. 

Quisera eu saber voar
e com eles para longe ir
as imperfeição não aturar;
as indecisões não aguentar;
o detestável não imaginar;
o adaptável me enquadrar.
A insanidade daqueles denominados loucos
para perto deles eu iria
e com eles me sentir confortável,
com eles me sentir em família.
Quero voar para longe
quero deixar o frio e sentir o calor.
Quero deixar o ódio, a angustia, o rancor,
sentir... eu só quero sentir.
Ao menos uma vez na vida
Eu quero sentir a paz.
Com o bater de minhas asas,
o poder da imaginação
para longe iria com
 tamanha emoção. 

Para longe fui
não ouse me procurar
com minhas asas voei
finalmente me encontrei.